
Encontrar fios no travesseiro, no ralo do banheiro ou na escova assusta. Mas nem toda queda é problema. A questão é saber diferenciar o que faz parte do ciclo natural do cabelo do que precisa ser investigado.
Cada fio de cabelo vive em ciclos. Ele cresce por alguns anos (em geral, de dois a seis), passa por uma breve fase de transição de poucas semanas e entra em repouso por cerca de três meses. Ao fim desse repouso, cai para dar lugar a um fio novo. Como cada fio está em uma fase diferente, a queda é contínua e discreta.
Perder de 50 a 100 fios por dia faz parte desse ciclo. Nos dias em que você lava o cabelo, pode parecer mais, porque saem de uma vez os fios que já estavam soltos. O que chama atenção é a mudança: se a quantidade aumentou bastante, se isso vem acontecendo há mais de dois ou três meses, se o rabo de cavalo ficou mais fino ou se o couro cabeludo começou a aparecer, já vale investigar.
Esse último caso é bem comum e tem nome: eflúvio telógeno. Ele costuma aparecer dois a três meses depois do acontecimento, não na hora, e por isso muita gente não faz a ligação entre uma coisa e outra. Em geral é temporário, mas vale confirmar que não existe outra causa somada a ele, o que é frequente.
As causas são muitas, e o tratamento de uma não serve para a outra. As mais frequentes no consultório são:
É por isso que comprar um produto porque funcionou para alguém conhecido costuma dar errado. E vale um alerta sobre suplementos: vitamina para cabelo só ajuda quando existe deficiência. Algumas vitaminas em excesso podem até piorar a queda, e a biotina, muito presente nessas fórmulas, pode alterar o resultado de exames de tireoide. Por isso, conte na consulta tudo o que você toma.
A consulta começa com uma conversa: há quanto tempo começou, como é a sua rotina, o que você já usou, se existe histórico na família, se houve alguma mudança de saúde nos últimos meses e quais medicamentos e suplementos você toma.
Depois vem o exame do couro cabeludo com o dermatoscópio, um aparelho que funciona como uma lupa com luz e permite ver a raiz dos fios, a espessura, a densidade e o estado da pele ali embaixo. É rápido e não dói. Dependendo do que aparece, podem ser pedidos exames de sangue. Em alguns casos específicos, uma pequena biópsia do couro cabeludo, feita com anestesia local, ajuda a fechar o diagnóstico.
Para aproveitar melhor a consulta, leve exames de sangue recentes, a lista de medicamentos e suplementos que você usa e, se tiver, fotos antigas em que o cabelo apareça. Elas ajudam muito a comparar a evolução.
Existe uma diferença importante entre os tipos de queda. Em alguns, o folículo continua vivo e o cabelo pode voltar a crescer. Em outros, a inflamação vai destruindo o folículo aos poucos, e o que foi perdido não volta. Mesmo nos quadros em que o folículo não é destruído, como a alopecia androgenética, o afinamento é progressivo: quanto antes o tratamento começa, mais fios são preservados.
Não dá para saber em qual desses grupos você está sem uma avaliação. Esperar para ver se melhora sozinho é o que mais costuma atrasar o tratamento.
Cabelo cresce devagar, cerca de um centímetro por mês. Mesmo com o tratamento adequado, o primeiro sinal costuma ser a redução da queda, e o ganho de volume leva meses, porque depende de novos ciclos de crescimento. Em geral, a resposta começa a ser avaliada entre três e seis meses. Qualquer promessa de solução rápida merece desconfiança. Com o diagnóstico definido, o tratamento passa a ter um objetivo claro e pode ser acompanhado com critério.
Se a queda mudou de padrão, se já dura mais de três meses, se apareceu alguma falha ou se o couro cabeludo incomoda, vale marcar uma avaliação. A consulta capilar é feita no consultório, em Catanduva, e inclui o exame do couro cabeludo com dermatoscópio.
Agende uma avaliação capilar com a Dra. Ana Flávia Pattini e entenda o que está por trás dela.
Agendar avaliação pelo WhatsAppLavar o cabelo todos os dias aumenta a queda?
Não. Os fios que saem no banho já estavam soltos e iam cair de qualquer forma. Lavar com menos frequência só faz com que eles se acumulem e saiam de uma vez.
Estresse pode causar queda de cabelo?
Pode. Um período de estresse intenso pode desencadear o eflúvio telógeno, que aparece dois a três meses depois. Costuma ser temporário, mas vale avaliar se não há outra causa associada.
Vitamina para cabelo resolve a queda?
Só quando a queda é causada por uma deficiência. Sem deficiência, não há benefício, e o excesso de algumas vitaminas pode atrapalhar. O ideal é investigar antes de suplementar.