
Todo mundo sabe que precisa usar protetor solar. A dúvida costuma ser outra: qual escolher entre dezenas de opções na prateleira, e como usar para que ele proteja de verdade. A resposta depende mais da sua pele e da forma de aplicar do que do número estampado na embalagem.
O FPS (fator de proteção solar) mede a proteção contra os raios UVB, os principais responsáveis pela queimadura. Para o dia a dia, a recomendação mínima é FPS 30. Se você tem pele clara, mancha com facilidade, trata melasma ou passa boa parte do dia ao ar livre, o ideal sobe para FPS 50 ou mais.
A outra metade é o UVA. Esse raio quase não queima, por isso passa despercebido, mas chega a camadas mais profundas da pele e está diretamente ligado ao envelhecimento precoce e às manchas. Ele atravessa nuvens e o vidro comum, ou seja, está presente o ano inteiro e dentro de casa, perto das janelas.
No rótulo, procure o selo “UVA” dentro de um círculo. No Brasil, ele indica que a proteção contra UVA corresponde a pelo menos um terço do FPS. Alguns produtos também informam o PPD, que mede essa mesma proteção: quanto maior o número, melhor. Um bom protetor precisa cuidar dos dois raios.
Os filtros minerais (também chamados de físicos ou inorgânicos) são feitos de óxido de zinco ou dióxido de titânio. Por muito tempo se disse que eles apenas “refletem” a luz. Hoje se sabe que boa parte do trabalho deles também é de absorção, mas o que importa na prática não muda: costumam ser muito bem tolerados por peles sensíveis, por quem tem rosácea ou dermatite e pelas crianças. O ponto fraco é que alguns deixam um aspecto esbranquiçado, sobretudo em peles mais escuras. As versões com cor resolvem bem isso.
Os filtros químicos (ou orgânicos) absorvem a radiação e dissipam essa energia em forma de calor. São mais leves, espalham com facilidade e não deixam resíduo branco. Em peles muito sensíveis podem arder e, mais raramente, causar alergia.
A maioria dos protetores atuais combina os dois tipos. Não existe um filtro melhor para todo mundo. Existe o que combina com a sua pele e que você consegue usar todos os dias sem esforço.
Bebês com menos de seis meses não devem usar protetor solar sem orientação médica. Nessa fase, a proteção é feita com sombra, roupa e chapéu.
Esse é o detalhe que mais pesa na prática. O melhor protetor solar é aquele que você vai passar de verdade, todos os dias. Um guia rápido para ler o rótulo:
| Sua pele | O que procurar no rótulo |
|---|---|
| Oleosa ou com tendência a acne | Oil free, toque seco, gel-creme, fluido ou sérum. Confira se está escrito “não comedogênico”, que significa que o produto não tende a entupir os poros. |
| Seca | Versões em creme ou com ativos hidratantes, que evitam a sensação de pele repuxando. |
| Sensível ou com rosácea | Fórmulas sem perfume, de preferência com filtro mineral. |
| Com manchas ou melasma | Protetor com cor. Os pigmentos da fórmula ajudam a barrar também a luz visível, que piora as manchas. |
| Quem usa maquiagem | Protetor com cor pode substituir a base e simplificar a rotina. |
Um alerta importante: o FPS da base ou do hidratante não substitui o protetor. A quantidade de maquiagem que usamos é bem menor do que a necessária para alcançar a proteção indicada na embalagem.
O número do FPS é medido em laboratório com uma camada generosa de produto. Na vida real, a maioria das pessoas aplica menos da metade disso, e a proteção cai bem abaixo do que está no rótulo. Para rosto, orelhas e pescoço, a medida é de cerca de uma colher de chá, o equivalente a duas ou três linhas de produto do comprimento de um dedo.
A reaplicação é a cada duas horas quando você está exposto ao sol, e sempre depois de nadar, suar muito ou secar o rosto com a toalha. Protetores “resistentes à água” mantêm parte da proteção dentro da água por um tempo limitado, mas também precisam ser reaplicados ao sair. Em um dia de trabalho em ambiente fechado, uma reaplicação no meio do dia e outra antes de sair na rua já fazem diferença.
Uma dica que funciona: deixe um protetor em bastão ou em pó com FPS na bolsa. É muito mais fácil retocar no meio do expediente. Só lembre que eles são o retoque, não a camada principal da manhã.
Orelhas, pescoço, colo, nuca, dorso das mãos, peito dos pés de quem usa sandália, lábios (com protetor labial com FPS) e o couro cabeludo de quem tem cabelo ralo ou repartição marcada. São áreas que recebem sol todos os dias e quase nunca recebem protetor. Não por acaso, são lugares onde a dermatologista frequentemente encontra manchas e lesões causadas pelo sol.
Sobre o vidro: o vidro comum barra quase todo o UVB, mas deixa passar boa parte do UVA. O para-brisa costuma filtrar mais; os vidros laterais, menos. Não é coincidência que o lado da pessoa que dirige muitas vezes envelheça e manche mais. Se você dirige bastante ou trabalha perto de uma janela, o protetor continua valendo.
E confira a validade. Protetor vencido, ou esquecido dentro do carro no calor, perde eficácia.
Se você tem melasma ou manchas que não saem, acne, rosácea, pele muito reativa, está grávida, tem histórico de câncer de pele ou usa algum tratamento que deixa a pele mais sensível ao sol, o protetor deixa de ser um detalhe e passa a fazer parte do tratamento. Nesses casos, a escolha errada pode atrapalhar o resultado.
Na consulta, a Dra. Ana Flávia avalia a sua pele e indica o tipo de filtro, a textura e a rotina de reaplicação que se encaixam no seu dia a dia, junto com o restante dos cuidados. É bem mais rápido do que ir testando produto por conta própria.
Agende uma avaliação com a Dra. Ana Flávia Pattini, dermatologista em Catanduva.
Agendar avaliação pelo WhatsAppProtetor FPS 100 protege o dobro do FPS 50?
Não. O FPS 30 bloqueia cerca de 97% dos raios UVB, e o FPS 50, cerca de 98%. Acima disso, o ganho é pequeno. Na prática, aplicar a quantidade certa e reaplicar faz muito mais diferença do que subir o número.
Preciso de protetor em dia nublado ou dentro de casa?
Sim. As nuvens deixam passar boa parte da radiação ultravioleta, e o UVA atravessa o vidro comum. Dentro de casa, longe das janelas, a exposição é pequena; perto delas, vale usar.
Posso usar o mesmo protetor no rosto e no corpo?
Pode, desde que a textura seja confortável e não provoque espinhas. Os protetores faciais costumam ser mais leves e melhores para usar sob a maquiagem.